quarta-feira, 25 de julho de 2007

Sinta.

O mistério me rodeava, olhava para porta, tudo escuro, eu mal via minha mão, debaixo da porta eu via a luz da sala acessa, levantei-me, mas antes percebi que meu colchão estava molhado, quando botei os pés no chão, senti aquele frio em meus pés, não vou descrever essa sensação a que senti, apenas lembrarei que havia sombras oscilantes e assustadoras, tal cenário me fazia lembrar de algum filme de terror, onde monstros sempre eram encharcados, de passagem falarei da liberdade das pombas, e da minha. Mas é só. O resto era o sentimento de sentir a água gelada sob meus pés pré-aquecidos no edredom, de sentir, essa a questão de qual se trata. Eu lembro que meu irmão sempre gostou de desenhar e ele fazia guerreiros com armaduras enormes, eu ainda sentia certo estoicismo, na relação de ter um passado tão singelo, meu irmão chegava sempre à min e perguntara sobre seu desenho, ´´eles possuem armaduras enormes, mas isso é somente uma carapaça que esconde o seus frágeis corpos de sentimento, assim como você``, isso era o que eu sempre dizia, ele ria , talvez por sempre ter sido uma criança ´´vivida``, ele nunca me compreendera. Meu peito estava quente, meu coração estarrecido, pensativo. ´´antes era perfeito, ter nascido me estragou a vida`` e quando falavam de amores e eu orgulhosamente negava tal dissonância cognitiva, mas era aí que mais amava. Então sob o por do sol abria os braços e sentia a liberdade dos pássaros, a musica das arvores, mas não me sentia ali, acho que estou com saudade de min mesmo, ou com medo. Preciso viver menos depressa. E sentir. A água? Era goteira. Aquela casa, finalmente mostrou que não era aquela gigante sombra no meio da rua, como a enorme sombra de uma arvore morta e frágil, assim como nós.

Um comentário:

Alexander Faria -Deda disse...

Obrigado pelo comentário Ricardo. Seus textos tbm são muito bons. Uma leitura densa e imaginativa. Continue escrevendo, é sempre bom ver gente jovem e produtiva por aqui.

Um cordial abraço.

Alexander