quinta-feira, 19 de julho de 2007

Noites de chá e não-chá.

Não era a primeira vez que haviam me perguntado sobre a coleção de xícaras de chá. Habito antigo. Tínhamos marcado um encontro, ou como preferíamos simplesmente o chá, 15 para a meia-noite, era o horário que o encontro geralmente ocorria pela internet, nós encontramos por acaso em uma rede de relacionamentos, começávamos a conversar, sobre o destino inexorável e coisas banais, mas não eram simples conversas, havia certo intelectualismo de ambas as partes. Enquanto esperávamos convites de alguns amigos para sair, à uma hora da manhã, eles já não tinham mais importância. A noite de chá voltou a acontecer com uma critica freqüência, agente nem esperava os convites, eles eram inválidos essa hora, nós tínhamos hora pra voltar, eu sempre chegava primeiro, na espera, eu tomava chá, ela nunca soube disso, até que fiquei dependente. Todos estavam cansados, querendo voltar para cama, os amigos querendo ir beber, e eu e ela querendo ficar ali, conversando, até o sol raiar, no final nem lembrávamos do quê se tratava às conversas, até que chegara a hora de ir. No outro dia, estava eu de prontidão, esperando-a entrar na internet, só que ela não apareceu, para fazer tempo, fui comprar uma xícara nova em um desses mercados 24 horas, fazia o chá e ficava na frente do computador, mas foi a primeira de muitas outras noites de não-chá, enquanto isso minha coleção aumentava, até que um dia ela voltou e então tivemos talvez nossa ultima conversa durante tanto tempo. Um ano depois, ela volta, volta mais carinhosa, junto com ela volta também meu vicio e eu mais xícaras são adicionadas a minha coleção, e sim... Ela sumiu de novo.

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